O abismo cultural na indústria da música

wallpaper-abyss-6Saudades dos anos 90, quando os roqueiros reclamavam das bandas de pagode, pois, na época, para esse público, aquele era o pior gênero musical possível, a coisa mais antagônica ao seu modo de pensar e ser. Uma choradeira romântica com letras pobres desagradava os mais radicais, que gostavam de se julgar intelectualmente superiores.

Mas o fato é que, muitos daqueles grupos, antes alvejados pelas críticas, agora são lembrados com uma certa nostalgia, pela maioria dos roqueiros, até mesmo os mais fervorosos. O que aconteceu então? Agora o Molejo, Raça Negra, É o Tchan viraram símbolos da cultura pop, ícones cult frequentemente evocados nas redes sociais.

Aconteceu o pior, infelizmente. Nas últimas duas décadas o conteúdo das letras, melodias e harmonias das músicas, produzidas pela indústria fonográfica, foi decaindo cada vez mais, até chegarmos em pérolas como essa:

“A novinha não me quer
Só porque eu vim da roça
A novinha não me quer
Só porque eu vim da roça
Roça, roça o piru nela
Que ela gosta
Roça, roça o piru nela
Que ela gosta”

Não que seja exatamente um problema existirem músicas com letras porcas, sem nenhum nexo harmônico e melódico. Mas existe uma catástrofe quando existem rádios de grande porte, porta vozes midiáticas, que tocam esse gênero 24h por dia. Torna-se assustador quando você vê uma criança de 10 anos cantando a estrofe acima, com orgulho do seu aprendizado.

A repetição exaustiva dessa poluição sensorial faz com que a sociedade inteira afunde cada vez mais para dentro do abismo. A responsabilidade pela educação não é só do Estado. Deve partir da família, em primeiro lugar, e de toda a sociedade, principalmente levando em conta o papel da mídia, que pode influenciar diretamente no modo de pensar das pessoas.

E, gostaria de deixar bem claro, que o objetivo do post, não é fazer uma crítica elitista, afirmando que um gênero musical é superior ao outro. Felizmente, alguns funkeiros estão se empenhando em mudar o rumo. Poderia citar aqui, como uma referencia o trabalho do Mc. Garden, que utiliza os ritmos do funk para cantar suas letras complexas, que trazem importantes críticas sociais. Nem tudo está perdido.

Para completar o raciocínio assista a análise de Paul Joseph Watson sobre o panorama da música popular moderna e reflita bem essa questão. Os artistas podem contribuir, e muito, para a educação das futuras gerações. Tome a sua responsabilidade nisso.

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